O Ponto
Aventura 12+ anos
Mapa da históriaVeja de onde este capítulo veio e quais caminhos a narrativa já abriu.1 de 16 lidos
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  1. Ponto inicialpor Fernando MadrugaNão lido4 caminhos
    1. Entre o clique e o abismopor Fernando MadrugaNão lido2 caminhos
      1. O eco do likepor Fernando MadrugaVocê está aqui1 caminho
      2. A desconexão finalpor Fernando MadrugaNão lido
    2. Reticênciaspor Fernando MadrugaNão lido
    3. Perdendo a linhapor Fernando MadrugaNão lido

O eco do like

por Fernando Madruga

No início, o like era um gesto simples: um toque, um sinal de aprovação. Um jeito rápido de dizer “vi você” sem precisar gastar palavras. Mas o que começou como um elogio virou medição de valor — e o eco do like começou a moldar o próprio ser humano.
Logo, não bastava existir — era preciso ser visto. E ser visto não bastava — era preciso ser curtido. A identidade, que antes morava no espelho, mudou-se para o feed. O reflexo virou pixel, e a alma, métrica.
O like tornou-se o novo batimento cardíaco da autoestima: quando sobe, vem a euforia; quando cai, o colapso. O amor próprio, antes construção, virou atualização de página.
A solidão digital é um fenômeno curioso: nunca se falou tanto, nunca se escutou tão pouco. Cada post é um grito dizendo “me amem”, e cada silêncio um lembrete cruel de que o algoritmo não tem coração.
O ponto, observando tudo de longe, ri com melancolia: “Eles queriam ser deuses, mas se contentaram em ser notificações.” O eco do like reverbera pelo vazio — um som doce e oco, como palmas em auditório vazio.
E assim, o ser humano, outrora criador de sentidos, passou a buscar sentido nas reações dos outros. Esqueceu-se de reagir à própria vida.

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